segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A maldição do vencedor [The winner's curse 1], de Marie Rutkoski - Opinião

Título original - The winner's curse
Saga: The winner's trilogy #1
Editora: TopSeller
Sinopse: Kestrel, jovem filha do poderoso general de Valoria, tem apenas duas opções: alistar-se no exército ou casar-se. Ela tem, no entanto, outras aspirações e procura libertar-se do seu destino, rebelando-se contra o pai.
Num passeio clandestino pela cidade, Kestrel vai parar a um leilão de escravos, onde se depara com um jovem, Arin, que parece querer desafiar o mundo inteiro sozinho. Num impulso, ela acaba por comprá-lo — por um preço tão alto, que a torna alvo de mexericos na sociedade.
Arin pertence ao povo de Herrani, conquistado dez anos antes pelos Valorianos. Além de ser um ferreiro exímio, revela-se também um cantor extraordinário, despertando a curiosidade de Kestrel. Arin, contudo, tem um segredo, e Kestrel não tardará a descobrir que o preço que pagou por ele poderá custar muito mais do que aquilo que alguma vez imaginara.


Opinião:
Li este livro à conta de uma leitura conjunta. Confesso que se não fosse por isso, provavelmente o livro não tinha suscitado interesse em mim apenas pela sinopse.
Kestrel compra um escravo Herrani por impulso e leva-o para casa, onde passa a desempenhar funções de ferreiro. Veio a calhar pois ela é a filha do general e nenhuma outra habilidade é tão adequada. 
Porém ela requer a sua companhia diversas vezes, mesmo em festas da alta sociedade, e logo começam os mexericos. Ela não lhes dá muita importância pois está apenas interessada na sua personalidade distinta e sinceridade. Já ele tem outro tipo de interesse.
Por ser um livro de temática que de uma forma generalizada não me atrai (guerras, conquistas, poder, escravatura), provavelmente irei apenas ler a continuação em conjunto com o grupo (se eles não lerem imediatamente) e não tanto por iniciativa própria. Com isto não estou a insinuar que foi um mau livro, antes pelo contrário.
Um aspecto (muito) negativo do livro é sem dúvida a escravatura. Não há como não enxergar isso mas faz parte da narrativa e da história que está a ser contada, sendo que um povo conquistou outro. Seja como for, a história dá mostras de seguir um caminho que leva à liberdade.
Agradaram-me as mostras de inteligência nas mais diversas situações, o carácter das personagens, o amor pela arte musical (ela por tocar piano, ele por cantar), o uso de estratégia em diversas situações. O próprio conceito dos termos que dão o nome ao livro, foi para mim novidade, nunca ouvi nada de parecido. E depois há também aquele trocadilho, do título com a história, ela levou o prémio consigo mas nesse instante amaldiçoou todos os Valorianos.
Foi divertido ler acerca dos costumes e das disparidades entre os hábitos dos povos. Achei intrigante o facto do povo conquistador ter adquirido hábitos do povo conquistado e passar a integrá-los no seu quotidiano, inclusive junto da alta sociedade. Ao dizer isto, estou a referir-me sobretudo ao simples (e para nós tão vulgar) acto de comer as refeições com talheres! Imagino que terá sido assim na realidade em algum momento da história do Homem, mas uma pessoa normalmente não costuma pensar muito sobre isso, não é?
Se ficaram curiosos, dêem uma vista de olhos e boa leitura :) 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O guardião do tempo, de Mitch Albom - Opinião

Título original - The time keeper
Editora: Sinais de fogo
Sinopse: O inventor do primeiro relógio foi punido por tentar medir a maior dádiva de Deus, sendo banido durante séculos para uma caverna e forçado a ouvir as vozes de todos os que o procuravam em busca de mais tempo, de mais anos. Até que por fim, com a alma quase destroçada, o Guardião do Tempo recuperou a sua liberdade, juntamente com uma ampulheta mágica e uma missão: a oportunidade de se redimir ensinando a duas pessoas o verdadeiro sentido do tempo.
Regressando ao nosso mundo - agora dominado pela contagem das horas que ele tão inocentemente iniciara -, começa uma viagem com dois parceiros improváveis: uma rapariga adolescente que quer desistir de viver e um velho e poderoso homem de negócios que quer viver para sempre. Para se salvar, terá que salvar ambos... e parar o mundo para o conseguir.
Escrito no estilo habitual do autor, esta maravilhosa e original história inspirará os leitores, fazendo-os repensar as suas próprias noções de tempo, a forma como o despendem e o quão importante ele é verdadeiramente.

Opinião:
Após me deparar com alguns títulos do autor, elegi este para demarcar a minha estreia. Não sei ao certo porquê este, mas havia ali qualquer coisa de apelativo.
O protagonista, um rapaz naturalmente interessado, torna-se um homem ainda mais curioso com o passar do tempo. Como é estabelecido, naquela época o conceito de tempo não existia e tampouco era mensurável até o Dor começar a notar um padrão.
Dor começa a associar eventos do dia, que repetem-se dia após dia, com o "andamento" do Sol e eventualmente, observa as fases da lua e associa as mudanças, ao que sabemos agora tratar-se do mês.
Tamanha astúcia não passa despercebida ao Pai do céu, e um mensageiro surge e atribui a Dor a tarefa de ser o pai do tempo. Ele fica confinado numa gruta e é sentenciado a ouvir as lamurias dos homens que pedem sempre por mais tempo.
Gostei imenso! Uma história com tanto significado e tantas mensagens subjacentes! A começar com atribuição de responsabilidade, digamos. 
Causa e efeito. 
Arcar com consequências. 
A possibilidade de redenção. 
Actos altruístas poderão permitir a própria salvação. 
O livro como um todo parece uma lição de vida e "um abre olhos", um alerta.
Eita, quando acabei de ler fiquei um bocado parada a pensar. Quanto desperdício de tempo e de oportunidades? 
Fez-me pensar na minha família, nas saudades que tenho deles, no tempo desperdiçado no tempo mal aproveitado, no valor que têm! É como dizem: a vida são dois dias. Sejam felizes e mantenham perto aqueles que vos são mais queridos, mantenham os laços e o contacto sempre que possível.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Delirium [Delirium 1], de Lauren Olivier - Opinião

Título original - Delirium
Saga: Delirium #1
Editora: Alfaguara
Sinopse: Houve um tempo em que o amor era a coisa mais importante do mundo. As pessoas eram capazes de ir até ao fim do mundo para o encontrar. Faziam tudo por amor. Até matar. Finalmente, no século XXII, os cientistas descobrem a cura para o delírio do amor, uma perigosa pandemia que infecta milhões de pessoas todos os anos. E o governo passa a exigir que todos os cidadãos recebam o tratamento ao cumprirem 18 anos. Quando faltam apenas noventa e cinco dias para a tão aguardada cirurgia, Lena faz o impensável e sucumbe a uma irreprimível e incontrolável paixão… 

Opinião:
Este foi o título que seleccionei para o inicio do desafio trilogia de 2017. Já há algum tempo na minha pilha de livros, decidi lê-lo neste momento.
A leitura demarca igualmente a minha estreia com a popular autora, que brevemente terá um dos seus trabalhos (Before I fall) adaptado ao grande ecrã.
Num mundo dominado pelas emoções, é fácil perder o controlo e sucumbir às vontades. Foi então que os cientistas desenvolvem uma cura para o que parece estar na origem de todos os males, o delírio do amor.
Lena mal pode esperar por atingir a maioridade, quer passar logo pelo tratamento e livrar-se de uma vez por todas do fantasma do passado que foi ter uma mãe cujo tratamento não funcionou.
A vida dá muitas voltas, e o seu destino é selado quando conhece o jovem Alex. Agora tudo o que ela quer é que o tempo não avance, mas como todos sabemos, o tempo é imperdoável.
A história e a evolução da relação dos pombinhos eram fofas e muitas vezes adoráveis, claro sempre havia barreiras mas notava-se que queriam que funcionasse apesar de tudo.
Gostei particularmente de quando foram à selva e ele mostrou-lhe a sua casa com "vista panorâmica", depois ainda tentou reproduzir o efeito na casa abandonada onde se encontravam...que querido! 100% romântico! :)
Aliado ao romance proibido e a quebrar inúmeras regras da sociedade, bem como colocar-se em situações de perigo, a certa altura o livro levanta algumas questões acerca do destino final da sua (incurável) mãe. 
A verdade é que fiquei mais curiosa sobre de que modo o procedimento não funcionou, isto é o motivo. Será ela imune (algo do género do livro Divergente, risos) ou apenas algum componente biológico que impossibilita a acção do procedimento? Será hereditário?
Digam o que disserem acerca do amor, somos confrontados com uma das facetas mais "bonitas" (e tristes) desta complexa emoção, o sacrifício. O acto de sacrificar-se por alguém, colocar o próximo primeiro numa atitude verdadeiramente altruísta, pensando apenas no outro e no seu bem estar.
Tirando o romance, não achei esta uma história por aí além mas todos sabem que gosto de distopias, por isso volume dois, aqui vou eu (na esperança que aquele "cliffhanger" traga desenvolvimentos mais emocionantes).